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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Artigo de Reflexão: "Em Tempo de Defeso"

Assuntos Temporários

Tema: "Em Tempo de Defeso"

Artigo publicado no jornal Público 15 Julho 2012

Autor: Pedro Lomba


"Entretanto, falemos um pouco de defeso.
Os meses de Junho e Julho trazem-nos o inicio das férias, o debate sobre o estado da nação e a despedida do ano político. Mas não só. Este tempo é também conhecido no jardão do futebol como o período do defeso.

Há sempre muito estrépito no mundo do futebol.
Durante o defeso especula-se sobre possíveis entradas e saídas, reforços, promessas, dispensas.
E uma parte do defeso é ainda dedicada às férias dos futebolistas que, por qualquer razão, só puderam ter férias mais tarde. Valorizar o defeso é quase como valorizar a língua gestual portuguesa.
Ninguém sabe porquê, mas é verdade que nenhum português deixa de seguir intensamente e sofridamente o defeso, sobretudo aquilo que diz respeito, sobretudo aquilo que diz respeito às férias dos jogadores.
Para nossa alegria, as televisões e os jornais também se interessam e esforçam-se por fazer um trabalho aprofundado sobre tudo o que rodeia o descanso anual dos jogadores de futebol.

Chovem títulos: Ronaldo em Nova Iorque, Ronaldo em Saint-Tropez, Ronaldo na Tailândia; Nani visita visita crianças na Ásia; Raul Meireles dá o primeiro mergulho.

[Fonte: http://entretenimento.pt.msn.com]

Entrevistas: Luisão diz que "aproveitou as férias para melhorar a vertente musical", uma vertente que desconhecíamos.
E, segundo o Record, o capitão Luisão passou o último dia de férias em casa, comendo uma "rabada" e partilhando no Twitter uma foto do último almoço. Quem diz Luisão, diz outro craque qualquer.

[Fonte: Gustavo Bom/Global Imagens]

Num destes dias apanhei uma reportagem televisiva sobre o dia de férias completo de um jogador.
A manhã começou tranquilamente com um croissant e uma meia de leite.
Seguia-se a leitura dos jornais, essencialmente os desportivos, depois um passeio com a mulher e o filho deste nosso Messi.

À tarde depois de uma almoço filmado ao pormenor, os três saltitaram na piscina, o nosso ídolo foi questionado pelo jornalista da peça sobre a próxima época que aí em, respondendo sempre no dialecto do costume:
"Temos de trabalhar...já conhecemos o mister...estou confiante...com Deus serei vencedor."
O nosso repórter, invulgarmente doce, absorvia a loquacidade do craque.

Ele sabe que nós queremos saber tudo, que não nos furtamos a uma única informação que seja sobre estes seres que idolatramos, de maneira que a magnifica peça de jornalismo terminou com a câmara percorrendo o quarto do jogador, a arrumação dos lençóis, o sofá comido pelo cão, uns sapatos encostados à porta, umas cortinas abertas, eis ali o lar do nosso centro-campista, eis ali a vida simples de um astro que choraremos depois das bancadas.

Finalmente, a noite caía, ouvia-se uma música de fundo, o horizonte em púrpura, o dia de amanhã será igual a este, e a televisão vai lá estar, a televisão tem que lá estar, mais uma meia de leite, mais um croissant.
Até ao próximo desafio"