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sábado, 8 de agosto de 2015

Artigo de Reflexão: "Como se forma um craque"

Desporto - Futebol |Especial Formação Camadas Jovens

Artigo publicado in zerozero 3 Agosto 2015

Autor: Aurélio Pereira


Texto de: Inês Garrido Santos

"Como se forma um craque"


Hoje aproveitamos um artigo publico no site zerozero sobre Camadas Jovens da autoria do técnico Aurélio Pereira, que foi dos principais responsáveis pelo lançamento e formação do "nosso" jovem Tobias Figueiredo no Sporting Clube de Portugal

zerozero.pt - Catarina Morais
 
"O sucesso de futebolistas como Cristiano Ronaldo, Messi e outros atletas (mais ou menos atuais) faz com que este desporto tenha cada vez mais adeptos e amantes a tentar a sorte ou a perseguir o sonho de ter uma carreira de destaque. Para poder dar a conhecer os meandros deste mundo, o zerozero.pt foi falar com quem lhe dedica quase uma vida.

Atualmente como coordenador do recrutamento para a formação do Sporting, Aurélio Pereira está no clube há já 48 anos. Ainda que esteja vinculado aos leões, a visão que tem da formação de jogadores é global, tornando o antigo técnico numa voz de referência no meio.


©FPF/Diogo Pinto

Hoje em dia, as escolas de futebol e os clubes recebem crianças a partir dos seis anos de idade. Todavia, mais do que aprender, os jovens têm que mostrar capacidades inatas. «Aos seis, sete, oito anos são detetados os miúdos com habilidade natural, com uma boa relação com a bola e a partir daí é feita uma primeira fase, até aos 12 anos, de ensino do futebol, de princípios de jogo. Depois é por aí fora até chegar à equipa principal. Em todos os escalões a aprendizagem é feita quase como um curso. Não há um curso porque não se ensina, prepara-se um jogador para ser profissional de futebol», explica Aurélio.


©FPF/Diogo Pinto
 

A partir do momento em que a criança integra uma escola de futebol, o sucesso ou insucesso pode passar muito pela «envolvência», isto é, pelo meio em que se insere. Nesse aspeto, o «caráter» vai ser determinante para vingar ou não no seu caminho. «Há tanta coisa para que, eventualmente, o atleta se perca no percurso: desde o treino, especialização precoce, as más companhias, a alimentação, em termos de comportamentos tudo influencia», diz o antigo treinador.

Quando um atleta está ainda em construção, o papel do técnico é importante, sendo que o seu perfil é «fundamental». Aurélio Pereira defende que um líder «de jovens tem que ser um treinador mais de pedagogia, menos ansioso, menos nervoso, mais estável, para que os miúdos possam comungar com ele essa calma, onde podem crescer com alguma tranquilidade».
 

Preparar para o futuro

Se há alguma diferença que o nosso país possa fazer em relação ao futebol tem a ver com o clima, os espaços e a cultura. «O nosso miúdo é intuitivo, rápido, tem imaginação», enumera o coordenador, acrescentando que isso se deve, também, ao facto de «o primeiro brinquedo» que é costume dar-se a uma criança ser «uma bola». Para além disso, «o nosso miúdo tem uma apetência para o futebol de nascença e é conduzido para as escolas muito cedo», acrescenta Aurélio.


©FPF/Diogo Pinto
 

Olhando para as camadas jovens e tentando comparar com aquilo que acontece nas equipas seniores, as transferências de jogadores não são feitas da mesma forma nem há, na maioria dos casos, contratações com valores 'astronómicos'. «Até aos 19 anos todos os atletas podem mudar de clube, todos os anos, se quiserem. Nesse aspeto o mercado é livre», elucida o sportinguista, ressalvando, no entanto, que «aos 14 anos ele [o jovem jogador] pode fazer o primeiro contrato de formação e aí sim, se algum clube o quiser terá que negociar com o outro».

Com o mediatismo que é cada vez mais dado a algumas estrelas do mundo da bola, é natural que os jovens sonhem com uma carreira semelhante. Aurélio Pereira aponta as características que são necessárias para vencer nesta profissão: «Tem que ser logo pela relação com a bola e a habilidade natural, isso é o principal requisito para começar», afirma, vincando ainda que a «paixão» é fundamental, já que é ela que «lhes traz depois vontade de querer ser alguém no futebol».


©Rui da Cruz
 

No sucesso ou não de uma criança há outro fator importante envolvido: a família. «As aspirações podem ser muitas, mas o miúdo pode não ter as apetências que os pais lhe atribuem ou o sonho que eles têm. Uma criança tem um sonho que é ser jogador de futebol, mas esse sonho pode não ser realizável», alerta o técnico dos leões. Para Aurélio Pereira, os pais devem olhar para o futebol «como uma possibilidade de ajudar na sua vida quotidiana e não estar obcecados com o facto de [os seus filhos] serem Ronaldos ou Figos», porque «nem todos podem ser».

Em jeito de mensagem para os jovens praticantes da modalidade, o coordenador do Sporting aconselha que «olhem para o futebol como uma modalidade que é extremamente bonita, que o façam e que desenvolvam as suas qualidades com tranquilidade, que seja jogado com prazer e alegria e não sob pressão»."


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Penalva do Castelo defronta o Mortágua na 1ª Eliminatória da Taça de Portugal 2015|16

O sorteio da 1ª eliminatória da Taça de Portugal, que decorreu, esta sexta-feira (31 Julho 2015), no Auditório Manuel Quaresma, da Sede da Federação Portuguesa de Futebol, ditou que o Sport Clube Penalva do Castelo defronte o Mortágua Futebol Clube.

A eliminatória está agendada para o dia 06 de Setembro de 2015, a realizar no terreno da equipa penalvense - Parque Desportivo de Santa Ana.

Em sorteio estavam todas as equipas que vão militar na próxima temporada no Campeonato Nacional de Seniores mais os segundos classificados de todas as Associações Distritais do país com Divisão de Honra como os vencedores da Taça Distrital separados por grupos por ordem geográfica. Os penalvenses inseridos no Grupo D tinham como potenciais adversários: Lusitano de Vildemoinhos, Anadia, Manteigas, Estarreja, Carregal do Sal, Oliveira do Hospital, Gafanha, Oliveira de Frades, Tourizense, Trancoso, Mortágua, Águeda e Sabugal.

Calhou em jeito de sorteio, um bem conhecido adversário, que pertence ao mesmo distrito, que ainda à bem pouco tempo acompanhou e defrontou os penalvenses na Divisão de Honra de Viseu e que tinha subido com vice-campeão (e consequente manutenção na temporada anterior 2014|15) nessa mesma temporada 2013|14.

Recorde-se que o Penalva do Castelo regressa a esta competição, praticamente três anos depois do último encontro efectuado nesta prestigiada competição nacional, onde nessa partida, relembre-se, foi afastado pela Académica de Coimbra.

A partida, serve também de arranque da temporada oficial para os seniores penalvenses, que vão disputar novamente o campeonato distrital na Divisão de Honra de Viseu, mesmo depois de se sagrar vice-campeão na temporada passada (ao contrário dos últimos anos, esta temporada não houve convite para disputar o Campeonato Nacional de Seniores para o 2º classificado da Associação de Futebol de Viseu). Não havendo desistências suficientes para ser repescado, a sorte apenas calhou à Associação de Futebol do Porto e à congénere de Braga. O distrito de Viseu ocupava a 5ª posição deste ranking, sendo que somente à quinta desistência ou convite é que teria possibilidades de vir ainda a disputar o Campeonato Nacional, como seria ambição dos penalvenses). A mesma competição distrital tem data marcada de inicio (segundo indicações provisórias da Associação de Futebol de Viseu) a 20 de Setembro 2015.

Sport Clube Penalva do Castelo X Mortágua Futebol Clube
(06 Setembro 2015)


Respeito, Humildade e Ambição são as palavras de ordem do Penalva do Castelo para enfrentar esta eliminatória!

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Artigo de Reflexão: "Pré época"

Desporto - Futebol |Espaço Universidade


Artigo publicado in Jornal A Bola online 23 Julho 2015

Autor: José Neto


"Pré época
Planeamento e Periodização do Treino e sua importância para o futuro de uma equipa na construção do sucesso!…"


"A definição genérica de treino, como uma forma básica de preparação do atleta através de exercícios no sentido de proporcionar ao organismo respostas às exigências físicas, técnicas, psicológicas, afetivas e sociais suficientemente capazes para a obtenção do êxito, ainda vigora em qualquer manual que o tempo conserva.

Constata-se no entanto que no âmbito da planificação duma época desportiva tem-se assistido a uma graduada evolução, quer ao nível das conceções, quer ao nível das operacionalizações das temáticas referentes às cargas de treino, não apenas em relação ao volume, como à intensidade, como à especificidade, recuperação, densidade etc…estabelecendo-se metodologias instrumentais para que o sucesso apareça e se prolongue no decorrer duma época desportiva.

Deste modo, qualquer trabalho que se destine à programação e planeamento tem que obedecer à avaliação das condições infraestruturais da prática e sua operacionalidade: Meio – material, potencial humano, capacidade socio- económica; Equipas técnica e médica, sua constituição e organigrama de funções a exercer; Atletas – dados pessoais, historial técnico, competitivo, desportivo e clínico; Calendário – treinos, jogos, competições; Seleção e Meios e Métodos de Treino – quais / quando / quanto / onde /como.; Definição do Modelo de Jogo – conceção de jogo; Condições de apoio departamental e logística, etc, tarefas sobre as quais jamais poderá ficar indiferente a qualidade crítica e reflexiva de todo um departamento que opera as premissas dos êxitos a conseguir, numa conduta de deveres para um julgamento de obrigações.

Em tempos que a memória não me atraiçoa havia um código referencial em que se periodizava uma época desportiva em 3 fases, geralmente agrupadas em 3 grandes períodos ou etapas:

1- Período preparatório, pré competitivo ou aquisição da forma desportiva – correspondente ao tempo espaçado entre o início da época e o início oficial das competições.

2- Período competitivo ou fase de desenvolvimento da forma desportiva- correspondente à durabilidade das competições.

3- Período de transição ou fase de redução ou quebra temporária dos níveis de rendimento.- correspondente ao tempo que intervala o final das competições e o início da nova época.

Dada a intervenção de um modelo “importado” (Matveiev), em que se privilegiava um conceito de forma desportiva baseado nos “picos” de forma, muito utilizado nos desportos individuais, as cargas de treino tinham uma orientação estruturada, isto é , o que interessava era que a equipa aparecesse em determinados momentos em “alta rodagem” para seguidamente baixar de forma cíclica o seu rendimento. À medida do tempo constituiu-se a necessidade de substituir esse modelo, pois no Futebol., mais importante do que os “picos” de forma, interessava os patamares de rendimento, ou seja a estabilização do rendimento como máxima garantia para resultados de nível superior. Assim e de forma progressiva viu-se a conceção tradicional evoluir para novas fenomenologias, como seja o treino integrado, ou seja numa interligação de treino por contraste, depois para a periodização tática, depois periodização complementar.

Percorri enquanto técnico de observação e qualificação do jogo e metodólogo de treino, desde 1981/82 até finais da década de 90 (V.S.C.Guimarães, F.C.Porto, S.C.Braga e V.S.C. de Guimarães) todas as etapas correspondentes e com resultados (alguns deles que a história de sucesso jamais apagará). Contudo e a experiência me tem demonstrado, não há receitas onde se possa pesquisar as condições que resultem no êxito absoluto. Por isso, repugna-me o fenómeno de certos profetas que anunciam como verdade absoluta um dos conceitos, quando no Futebol, como na vida, algo de novo se anuncia após uma resposta adequada, pois “o conhecimento nasce da dúvida e alimenta-se na incerteza”.( Sérgio, M.) Se por vezes até vemos jogadores com participações excelentes no treino e no imediato com performances verdadeiramente chocantes nas competições que se lhe seguem, até parece que tudo foi desaprendido ou esquecido, … o que se pode dizer?!...

É que nada está absolutamente definido. O planeamento e programação do treino vê-se por isso enriquecido com esta questão da adaptação significativa de condições propícias para a obtenção do êxito.

São várias as ciências que “emprestam” ao Futebol um contributo extraordinário das suas valências, como a fisiologia, a metodologia de treino, a estatística, a medicina desportiva, a biomecânica, a psicologia, a nutrição., etc., que, associadas a uma programação cuidada em treino, conduzirão ao sucesso na competição.

Por isso, jamais devemos esquecer que quão importante é trabalhar (quer na pré época como no decorrer da mesma) no treino a força, a agilidade, a destreza, a velocidade, os princípios defensivos e ofensivos, as transições e bolas paradas, etc, inseridos de metodologias que por exemplo promovam a confiança no jogador, assegurando e encorajando-o relativamente à capacidade de ser bem sucedido; inserir no conceito de treino o aspeto motivacional, formulando-lhe objetivos difíceis e desafiadores de complexidade crescente; operacionalizar no conceito de treino técnicas de redução de stress com intenção clara de obtenção níveis ótimos de desempenho, utilizando técnicas de relaxamento apropriadas e em momentos claros de definição personalizada de funções (marcação de livres, grandes penalidades, etc); inserir no conceito de treino um elemento fundamental, que poderá resultar na simulação de condições adversas que os jogadores irão ter no jogo, instrumentalizando-as no sentido de tudo estar preparado para se ser bem sucedido, etc …

Numa pré época, ao colocar todas estas dominantes (e muitas outras) em formas de jogo, está a potenciar-se argumentos fundamentais onde os tão famosos automatismos consubstanciados em rotinas, acabam por oferecer a expressão duma equipa como um todo, que pensa, executa e vive de forma coesa e solidária!..."

José Neto é Metodólogo Treino desportivo, Mestre em Psicologia Desportiva, Doutor em Ciências do Desporto/Futebol, Formador Treinadores FPF – UEFA e Docente Universitário.