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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Artigo de Reflexão: "Alunos que fazem mais exercício físico têm melhores resultados escolares"

Educação & Desporto

Tema: "Alunos que fazem mais exercício físico têm melhores resultados escolares"

Artigo publicado no jornal Público 9 Agosto 2012

Autor: Catarina Gomes


Diariamente, é recomendado fazer uma hora de actividade física moderada e vigorosa Diariamente, é recomendado fazer uma hora de actividade física moderada e vigorosa.

(Foto: Paulo Pimenta)

Os alunos que fazem exercício físico têm melhores resultados escolares, conclui uma investigação junto de três mil alunos realizada, ao longo de cinco anos, por uma equipa de investigadores da Faculdade de Motricidade Humana, da Universidade Técnica de Lisboa (FMH/UTL).

Os jovens com aptidão cardio-respiratória saudável tiveram um maior somatório das classificações a Português, Matemática, Ciências e Inglês.

Luís Sardinha, director do Laboratório Exercício e Saúde, da FMH, afirma que existe "a tendência para sobrevalorizar a parte biológica" dos benefícios do exercício físico. E este estudo também os comprova, evidenciando, por exemplo, que "os alunos insuficientemente activos", ou seja, que não cumprem as recomendações de actividade física diária (pelo menos 60 minutos por dia de actividade física moderada e vigorosa), têm maior probabilidade de serem pré-obesos ou obesos, que os miúdos cuja aptidão cardio-respiratória é saudável, decorrente do exercício, têm mais massa óssea, e os que não a têm tendem a ter uma saúde vascular pior.

(Foto: google.pt)

Mas, para o coordenador do estudo, o resultado mais inovador desta investigação - feita em parceria com o Ministério da Educação e Ciência (MEC) e a autarquia de Oeiras - é o demonstrar que o aumento da actividade física tem reflexos "na parte psicológica, uma dimensão que tem sido menos estudada", nota. "Face à dimensão da amostra", o investigador admite que os resultados possam ser extrapolados para a população escolar.

O chamado Programa Pessoa, co-financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), estudou durante cinco anos (começou em 2007) três mil alunos de 13 escolas do concelho de Oeiras, usando desde acelerómetros, instrumentos que os alunos usavam na cintura para medir os seus tempos sedentários e activos; ecografias para medir a espessura das camadas da artéria carótida; cronómetros para medir a performance cardio-respiratória dentro de um determinado circuito com cadência progressiva.


(Foto: google.pt)

O que se concluiu é que os alunos do 3.º ciclo com aptidão cardio-respiratória saudável têm melhores classificações a Matemática e a Língua Portuguesa e que, no geral, os alunos com aptidão cardio-respiratória saudável têm um maior somatório das classificações a Português, Matemática, Ciências e Inglês. Ou seja, o exercício físico tem efeito positivo no aproveitamento escolar, uma conclusão que estava sobretudo estudada em idades mais novas, nota.

"Esta linha de investigação vem demonstrar a importância do jogo e actividade física informal e organizada para todas as crianças em contexto escolar", defende Carlos Neto, presidente da FMH/UTL.

Mais auto-estima

A explicação para este efeito foi já estudada noutras investigações: "o exercício promove a formação de novos neurónios e uma maior interacção entre neurónios, que, por sua vez, promovem maior sensibilidade e desenvolvimento cognitivo".

Mas não só. É sabido que a adolescência é uma idade turbulenta, tendencialmente acompanhada pela diminuição de indicadores ligados à qualidade de vida, refere o investigador. O que este estudo também permitiu concluir é que, aumentando a actividade física, cerca de uma média de duas horas por semana, melhoraram indicadores como "a auto-estima, afectos positivos, competência, autonomia, relacionamentos positivos e boas motivações". Pelo contrário, constata-se que os rapazes e as raparigas que fizeram menos exercício desceram nestes indicadores.



(Foto: google.pt)

Além da produção de resultados estatísticos, o Programa Pessoa esteve no terreno para tentar mudar comportamentos em termos de exercício físico e nutrição, dando acções de formação a professores das várias disciplinas, e produzindo quatro manuais. Nos alunos que revelam maior apetência para a prática desportiva, "um dos objectivos do programa foi criar uma porta de entrada à maior participação desportiva".

Luís Sardinha afirma que "nos jovens há uma luta muito grande entre comportamentos sedentários, associados às tecnologias, e exercício físico" e, defende Sardinha, nesta faixa etária, "temos que mudar o discurso". "Nos jovens, a mensagem assente nos benefícios que o exercício traz à saúde não é eficaz", diz, "estão numa idade em que pensam que são super-homens e não têm capacidade para se colocarem na linha de vida aos 40 anos". O investigador sabe que apelar a estes jovens não tem o efeito desejado.O investigador sublinha que o que é importante é que os jovens "identifiquem o retorno que o exercício lhes traz com situações do dia-a-dia: têm de perceber que [se fizerem exercício] dormem melhor, interagem com mais confiança com o namorado ou a namorada, podem ter melhores notas, relacionam-se mais positivamente com os colegas e os pais".

Se o exercício físico se revela tão importante para os alunos, como é que Carlos Neto comenta a redução da carga horária da Educação Física e a nota da disciplina no final do secundário deixar de contar para todos os alunos? "Um corpo sedentário a par de um currículo escolar apenas centrado nas aprendizagens socialmente úteis (corpos sentados) será um caminho problemático no aumento do "analfabetismo e iliteracia motora" dos cidadãos", responde, acrescentando que "as posições assumidas pelo MEC [são] paradoxais e incompreensíveis".

(Foto: google.pt)

O ideal seria que, ao terminarem o 12.º ano, estes alunos fossem "consumidores educados do exercício físico", isto porque "está identificado que este é o período de maior abandono da actividade física, por ser uma altura que os jovens adultos adoptam novas rotinas, quer arranjando emprego ou indo para a universidade. Este é um período crítico para o reconhecimento do valor do exercício físico", conclui Sardinha.

O Ministério da Educação e Ciência rejeita que exista uma redução efectiva das horas da disciplina, lembrando que cabe às escolas tomar essa decisão. Quanto ao secundário, a nota contará apenas para os estudantes que queiram. Portanto, "não existe assim qualquer desvalorização da disciplina", informa.

Dormir nove horas

Os alunos que dormem menos de oito horas por noite têm maior risco de serem pré-obesos ou obesos, conclui o estudo, confirmando assim uma relação já identificada em estudos anteriores. O tempo ideal de sono nas idades estudadas (dos 13 aos 15 anos) é de mais de nove horas, diz o coordenador do Programa Pessoa, Luís Sardinha.

"Os miúdos que dormem menos têm um Índice de Massa Corporal superior. Dormir oito ou mais horas por noite reflecte-se também num maior aproveitamento académico", aponta. Os alunos que dormiam um mínimo de oito horas por noite tiveram melhores classificações a Matemática e Língua Portuguesa, revelam os resultados.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Artigo de Reflexão: "Sporting, Benfica e FC Porto espalham escolas de futebol em busca de craques"

Desporto

Tema: "Sporting, Benfica e FC Porto espalham escolas de futebol em busca de craques"

Artigo publicado no jornal Público 13 Julho 2012

Autor: Manuel Mendes


Os três “grandes” de Portugal estão a alargar a sua rede de prospecção de talentos por todo o país, replicando o que de melhor se faz na casa-mãe. Uma estratégia que dá dinheiro, adeptos e, talvez, vedetas

Os três “grandes” clubes portugueses estão a apostar na criação de escolas de futebol por todo o país, tuteladas por cada um dos emblemas e em que não deixam nada ao acaso. Controlam instalações, equipamentos e métodos de trabalho. Os objectivos são simples: ampliar o campo de recrutamento de promissores talentos e angariar mais adeptos. No total, Sporting, Benfica e FC Porto movimentam já, nas suas 69 escolas, espalhadas de norte a sul, mais de 13.500 crianças, entre os cinco e os 14 anos. Mas só uma centena mostrou aptidões que podem vir a transformá-los em craques.

O antigo técnico das selecções jovens Joaquim Agostinho não têm dúvidas de que este projecto "embrionário" irá dar frutos no futuro, não só para os clubes que aumentam consideravelmente o seu campo de recrutamento, mas também para as selecções nacionais. "É um projecto ambicioso, que de alguma forma vem colmatar aquilo que eu defendia e que passaria por incluir o futebol na formação escolar", defende o agora responsavel do futebol jovem do Sp. de Braga, um clube que no seu entender não será o que mais fruto vai recolher. "Só os três grandes têm a marca capaz de atrair jovens para tornar as escolas lucrativas", sublinha, pouco tempo depois de ter estado recentemente a dar formação aos técnicos que vão orientar a escola de Braga na África do Sul, a única do clube.


A estratégia que agora está a ganhar força em Portugal já é reconhecida e seguida há muito pelos monstros do futebol internacional. É a melhor forma de fidelizarem adeptos, de se expandirem, não só em Portugal, mas também no mundo", defende o especialista em marketing Daniel Sá. "O Sporting tem actualmente um símbolo para a juventude, entre outros, que é o Cristiano Ronaldo. O FC Porto tem vencido a nivel internacional e o Benfica é uma marca forte. Têm de potencializar estes aspectos lá fora", refere. "Principalmente nos países africanos lusófonos", acrescenta Agostinho Oliveira.


Mas, actualmente, apenas o Sporting e o Sp. de Braga têm escolas fora do país. O Sporting no Canadá (com 200 jovens), e o Sp. de Braga em Joanesburgo. Já o "Dragon Force", marca do FC Porto, dará o primeiro passo na internacionalização com a escola em Cambados, na Galiza. "Vamos apostar na internacionalização, mas primeiro queremos consolidar o projecto portista, sem esconder que um dos objectivos é roubar seguidores aos adversários. "Queremos cativar as crianças que têm pais benfiquistas ou sportinguistas", sublinha.


O sistema funciona de forma semelhante em todos os emblemas. São os clubes que fornecem as metodologias de trabalho e dão todo o apoio e supervisão aos parceiros. E cada clube impõe que os treinadores e coordenadores recebam formação na casa mãe para trabalharem seja nas escolas de Lisboa, Porto, Bragança, Portimão ou Viseu. Instalações condignas são outra das exigências, bem como o equipamento oficial do clube. "Procuramos replicar em todo o país o que se passa na casa-mãe. Garantimos uma uniformização dos métodos de trabalho em todas as escolas. É um projecto que não tem custos, mas que gera receitas", explica Fernando Pinto, o responsavel da Geração Benfica, o nome do projecto "encarnado". "E, embora o objectivo principal seja descobrir talentos para o clube, também é a melhor forma de dar a conheçer a marca Benfica", reconhece.


Em busca do futebol de rua

O interior do país pode ser um dos sectores mais beneficiados. Sem grandes estruturas, esta nova fórmula (iniciada pelo Sporting, em 2006) permite aos clubes acompanharem com uma proximidade sem precendentes a evolução dos candidatos a craques. "Com este projecto o Sporting pode descobrir no Canadá um talento que de outra forma seria impossivel", explica Pedro Dias que coordena a escola de Alvalade em Toronto. "O mesmo se passa no Portugal profundo", refere este antigo atleta "leonino".

O coordenador técnico do "Dragon Force", Carlos Campos, não tem dúvidas de que esta é um lufada de ar fresco no futebol nacional. "Vamos ter mais e melhores jogadores. O campo de recrutamento é brutal e um jovem que se destaque é logo chamado para testes", diz, explicando que o FC Porto vai apostar no interior, uma zona menos explorada. "O futebol de rua está na base de todos os grandes jogadores da história. Esse espaço deixou de existir nas grandes cidades. O reportório foi-se perdendo e nós queremos fazer renascer essa paixão aliada a padrões de trabalho elavadíssimos", remata.

Mas a entrada nestas escolas, referem os responsáveis, não é qualquer garantia de que venham a ser grandes futebolistas. Todos os responsáveis dizem que o mais importante é proporcionar uma prática desportiva de qualidade. Até porque só 0,7% consegue ingressar nos quadros competitivos dos clubes e muito menos chega a profissionais. Daí que todos os clubes exijam aos jovens atletas rendimento desportivo, mas acima de tudo, escolar.

Fonte Fotografias: google.pt

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Artigo de Reflexão: "O músculo mais importante está na cabeça"

Sociedade: Desporto

Tema: "O músculo mais importante está na cabeça"

Artigo publicado na revista Visão 21 Junho 2012

Autor: Luís Ribeiro

 
Depois de quatro jogos sem acertar na baliza, Cristiano Ronaldo fez uma partida maravilhosa, marcou duas vezes e foi considerado o melhor em campo pela UEFA. O atleta cabisbaixo e sem confiança transformou-se no furacão do costume. Mas o segredo dessa mudança não está nas pernas - está na mente.



No Euro 2012, Cristiano Ronaldo provou que a diferença entre um bom atleta e um atleta extraordinário está na cabeça. "O que distingue um desportista excecional é a resiliência, a forma como tropeça, cai, se levanta e resiste", diz o psicólogo do desporto Sidónio Serpa. "Os atletas de alta competição desenvolvem capacidades que lhes permitem reagir bem às situações, controlando as suas emoções e atribuindo aos problemas um significado de desafio", acrescenta.


O poder da mente mostra-se, precisamente, nos maus momentos. "Se o desportista pensa que o objetivo está ao seu alcance, aumenta a confiança, melhora o controlo sobre a situação e diminui a ansiedade. Se, pelo contrário, fica convencido de que é difícil ultrapassar o obstáculo, porque tem dúvidas quanto às suas reais capacidades, sobe a ansiedade e crescem as hipóteses de falhar na altura-chave", sublinha o catedrático da Faculdade de Motricidade Humana.


Esta capacidade de superação não é apenas intrínseca. Pode e deve ser trabalhada. Nos EUA, todos os grandes clubes de basebol, basquetebol e futebol americano têm psicólogos a acompanhar os jogadores e a fazer relatórios pormenorizados sobre as suas forças, fraquezas e estratégias a seguir. Por exemplo, um grito de um treinador pode ter efeitos opostos na sua confiança - e essa é uma informação valiosa. No conservador mundo do futebol, este lado psicológico do desporto ainda é muito empírico, mas está a mudar. Simão Sabrosa teve o apoio de um psicólogo para aprimorar a marcação de livres e penalties; a seleção portuguesa orientada por Scolari, e que foi à sua primeira final numa grande competição, era acompanhada por uma equipa de especialistas, que trabalhava o lado mental dos jogadores e da equipa; o Milan e o Chelsea criaram mind rooms (salas em que os jogadores visionam os seus falhanços, ligados a aparelhos de bio e neurofeedback, para aprenderem a controlar a ansiedade); e a seleção espanhola, historicamente frágil nos grandes momentos, tinha um experiente psicólogo canadiano nas suas fileiras, quando venceu o último Euro.


A psicologia pode ter um papel decisivo, por exemplo, no lado mental da marcação de livres e penalties, melhorando a concentração no instante decisivo.
Um truque comum nestas situações é criar um conjunto de imagens-âncora, que o desportista chama a si para lhe aumentar o bem-estar. Outro, muito importante, é a respiração. Expirar profundamente, por exemplo, ajuda a pessoa a sentir-se relaxada e equilibrada - imagem que, não por acaso, é a marca de Cristiano Ronaldo, nos segundos que antecedem os livres.


Há ainda outro fator que poucos referem, mas que pode constituir um pilar na vida de um atleta: ter um filho. "O ser humano é movido a quatro energias - física, mental, emocional e espiritual. Esta última é a que dá um sentido à vida, um objetivo. É o que faz uma pessoa sacrificar-se para lá da dor. Ter um filho faz parte desta energia. Se o Ronaldo se preocupa em ser um modelo para o filho, uma referência, muda para melhor", diz o consultor e antigo treinador de basquetebol Jorge Araújo. Cristiano Ronaldo marcou os dois golos contra a Holanda no dia em que o filho fez dois anos.

Fotos: google.pt

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Artigo de Reflexão: "Em Tempo de Defeso"

Assuntos Temporários

Tema: "Em Tempo de Defeso"

Artigo publicado no jornal Público 15 Julho 2012

Autor: Pedro Lomba


"Entretanto, falemos um pouco de defeso.
Os meses de Junho e Julho trazem-nos o inicio das férias, o debate sobre o estado da nação e a despedida do ano político. Mas não só. Este tempo é também conhecido no jardão do futebol como o período do defeso.

Há sempre muito estrépito no mundo do futebol.
Durante o defeso especula-se sobre possíveis entradas e saídas, reforços, promessas, dispensas.
E uma parte do defeso é ainda dedicada às férias dos futebolistas que, por qualquer razão, só puderam ter férias mais tarde. Valorizar o defeso é quase como valorizar a língua gestual portuguesa.
Ninguém sabe porquê, mas é verdade que nenhum português deixa de seguir intensamente e sofridamente o defeso, sobretudo aquilo que diz respeito, sobretudo aquilo que diz respeito às férias dos jogadores.
Para nossa alegria, as televisões e os jornais também se interessam e esforçam-se por fazer um trabalho aprofundado sobre tudo o que rodeia o descanso anual dos jogadores de futebol.

Chovem títulos: Ronaldo em Nova Iorque, Ronaldo em Saint-Tropez, Ronaldo na Tailândia; Nani visita visita crianças na Ásia; Raul Meireles dá o primeiro mergulho.

[Fonte: http://entretenimento.pt.msn.com]

Entrevistas: Luisão diz que "aproveitou as férias para melhorar a vertente musical", uma vertente que desconhecíamos.
E, segundo o Record, o capitão Luisão passou o último dia de férias em casa, comendo uma "rabada" e partilhando no Twitter uma foto do último almoço. Quem diz Luisão, diz outro craque qualquer.

[Fonte: Gustavo Bom/Global Imagens]

Num destes dias apanhei uma reportagem televisiva sobre o dia de férias completo de um jogador.
A manhã começou tranquilamente com um croissant e uma meia de leite.
Seguia-se a leitura dos jornais, essencialmente os desportivos, depois um passeio com a mulher e o filho deste nosso Messi.

À tarde depois de uma almoço filmado ao pormenor, os três saltitaram na piscina, o nosso ídolo foi questionado pelo jornalista da peça sobre a próxima época que aí em, respondendo sempre no dialecto do costume:
"Temos de trabalhar...já conhecemos o mister...estou confiante...com Deus serei vencedor."
O nosso repórter, invulgarmente doce, absorvia a loquacidade do craque.

Ele sabe que nós queremos saber tudo, que não nos furtamos a uma única informação que seja sobre estes seres que idolatramos, de maneira que a magnifica peça de jornalismo terminou com a câmara percorrendo o quarto do jogador, a arrumação dos lençóis, o sofá comido pelo cão, uns sapatos encostados à porta, umas cortinas abertas, eis ali o lar do nosso centro-campista, eis ali a vida simples de um astro que choraremos depois das bancadas.

Finalmente, a noite caía, ouvia-se uma música de fundo, o horizonte em púrpura, o dia de amanhã será igual a este, e a televisão vai lá estar, a televisão tem que lá estar, mais uma meia de leite, mais um croissant.
Até ao próximo desafio"

sábado, 21 de julho de 2012

Artigo de Reflexão: "O futebol como coreografia da vida"

Ao folhear o jornal Público do dia 28 de Junho de 2012, saltou à vista uma reflexão sobre futebol, começando pela frase “O futebol como coreografia da vida” do deputado do PS, Francisco Assis, que escreve às quintas-feiras naquele diário. “Gosto de futebol como jogo, paixão, estratégia, coreografia e vida. Está lá quase tudo.”

O timming da reflexão foi adequado ao Campeonato da Europa de Futebol Sénior de 2012, decorrido recentemente.


"Deve um homem resistir ao espírito do tempo? Talvez, mas não em demasia. Hoje apetece-me escrever sobre futebol, esse objecto de paixão estética e devoção fanática." Esta última parte, mais a ver, com um clube individual. "...a minha angústia e minha promessa de felicidade de cada fim de semana, e não é agora para aqui chamada. Regressará nos finais de Agosto."

O autor refere na altura, que era início de Verão, acompanhando o Europeu de Futebol, que encontrou o futebol enquanto pureza original. "Há muitos anos que leio livros, crónicas jornalísticas, pequenos ensaios sobre tão curioso assunto. O futebol é tão belo enquanto espectáculo sensitivo como na qualidade de representação e divagação. Gosto do futebol como jogo, paixão, estratégia, coreografia e vida. Está lá quase tudo." Assis faz referência a uma expressão de Albert Camus, esse filósofo com lado solar, que afirmou um dia: "Tudo o que sei sobre a moral devo-o ao futebol." Considera ainda, o autor uma frase lapidar e extraordinária, citando ainda outro passo: "Aprendi que a bola nunca vem até nós por onde a esperamos. Isso ajudou-me durante a vida, sobretudo nas grandes cidades onde as pessoas não costumam ser propriamente rectas."


Afirmando ainda, vincadamente, que "com o futebol aprendeu a ganhar sem se sentir um Deus e a perder sem se sentir um lixo". Ele era guarda-redes na equipa da Universidade de Argel, onde então estudava. A sua opção no campo de jogo tinha uma razão de ser pobre, quase miserável, a sua avó inspeccionava-lhe todos os dias o estado dos sapatos, pelo que ele teve que optar pela posição em que estes menos se desgastavam. Camus, um dos grandes pensadores da liberdade, foi afinal de contas guarda-redes por razões de necessidade. Isso não o impediu de encontrar no futebol os princípios essenciais que fundariam a sua filosofia moral, refere Francisco Assis.


"Se sei tudo isto, devo-o a um homem, uruguaio, romancista, jornalista, ensaísta, chamado Eduardo Geleano. É verdade que gosto de ler Segurola, Luís Fernando Veríssimo, Jorge Valdano, que me extasio com os textos de Mário Filho, ainda por cima prefaciados por Nelson Rodrigues, mas considero Galeano o mais extraordinário de todos. Escreveu um livro notável intitulado Futebol: Sol e Sombra, felizmente editado em português com prefacio de Jorge Marmelo, jornalista do Público, antigo jogador do Ramaldense e escritor de invulgar qualidade. Em Galeano o futebol transmuta-se em epopeia, história, poesia e filosofia".

O autor fazia uma referência ao jogo Itália - Inglaterra, relativo às meias finais do Campeonato da Europa.

Refere-se, sobretudo, ao desempate por grandes penalidades, comentando de forma curiosa e muito interessante: “Já não há mais jogo, só penaltis. O estádio pára. O tempo desaparece. Estamos perante a tirania da geometria pura. De um lado um marcador, de outro um guarda-redes. Esquecemos-nos que são homens, que de certa forma deixaram de o ser. Solidão absoluta envolta numa multidão muda e expectante. Não é imaginável uma situação mais cruel. Pura existência individual confrontada com o destino. (…) Curiosa metáfora de tantas vidas. Contudo, num instante tudo mudou.


A Inglaterra no caso, começou por levar vantagem devido ao falhanço de um jogador italiano que aparece estar em baixo de forma. A injustiça parecia estar prestes a consumar-se. Eis que surge Pirlo com o seu talento e a sua longa experiência. Ele sabe que está só diante do guarda-redes, da baliza, do estádio, da multidão silenciosa, talvez até, e sobretudo, do seu próprio destino. Não opta pela banalidade, recusa um registo burocrático e ousa marcar um penalti "à Panenka". Não falha. Aquele golo é muito mais do que um golo. É arte, é paradoxalmente imprevisibilidade e destino. Os ingleses que se seguiram falharam. A Itália ganhou. Dir-se-á que foi feita justiça. Provavelmente foi o génio que triunfou. Seria reconfortante pensar que as duas coisas andam a par. Fiquemos satisfeitos por admitir que por vezes elas não se contrariam. Já não é pouca coisa.(…)”


A vida é feita de instantes de arte, justiça, injustiça, génio, crueldade, azar… Feita de instantes de glória e de falhanços.


Adaptado por João Poças (Julho 2012)

quarta-feira, 7 de março de 2012

A formação de jogadores de futebol - Uma perspectiva concreta


Há uma diferença muito grande entre aprender a jogar futebol na “Rua” e aprender a jogar futebol num clube mas… um não é melhor do que outro, à partida, porque o único critério que mede a qualidade do processo é a quantidade de impacto que consegue ter (aprendizagens de qualidade) na modificação do jogador que aprende!… e isto é possível se o processo tiver uma forma que a potencie, na rua ou no clube. Há, por isso, um sentido concreto universal para a formação em futebol: provocar crescimento (máximo) individual (que crescimento?).


Num tempo em que a transformação da sociedade está a provocar uma tendência para a diminuição da qualidade do fenómeno que está a problematizar (FUTEBOL), cresce a importância dos clubes e, nesse crescimento, cresce a necessidade de conhecer com profundidade a NATUREZA do Jogo e do Jogador que o joga.


O futebol é um desporto particular porque, para além de ser COLECTIVO e competitivo, é jogado tendo em conta uma premissa que o define: proibido tocar a bola com a mão. Consequência destas particularidades, o processo de crescimento de um jogador não existe desligado do processo de crescimento da equipa que o inclui; pelo contrário, porque no futebol o primado está na INTERACÇÃO, expressar qualidade só é possível num contexto de equipa. Ou seja, a qualidade de um jogador (sentido concreto do crescimento individual) mede-se na capacidade que tem em intervir no jogo através da concretização (graus de liberdade) de decisões predominantemente AJUSTADAS perante a diversidade infinita de circunstâncias produzidas pela qualidade dos confrontos que vive, em cada momento do processo. A natureza (COLECTIVA) desta capacidade determina o modo como a sua construção deve ser levada a efeito, até porque as decisões são ajustadas em relação a uma referência macro sobre padrões de circunstâncias sentidos por quem os conhece. Para além disso, as decisões ajustadas são concretizadas por jogadores com características particulares e, por isso, há, na definição do ajustamento, um padrão de redundância que deve ser estimulado.


Aprofundemos, o Processo é limitado pela existência de uma Organização concreta (Princípios de Jogo) – é a qualidade da organização que dá personalidade ao processo e por isso é que existe o jogar à Porto e o jogar à Benfica – e essa organização é limitada pela qualidade momentânea + potencial dos sub-processos que inclui (entenda-se o estado de crescimento individual).


Isto quer dizer que, embora a LIGAÇÃO entre todos os jogadores tenha uma essência comum (lado intencional), o modo como cada um a vive tem qualquer coisa de INDIVIDUAL. Assim, a tal organização concreta cresce tanto mais quanto maior a qualidade momentânea dos sub-processos que, porque existem ligados, lhe dão vida; e o crescimento dos jogadores depende exactamente da qualidade (riqueza das ideias) do processo macro da sua equipa.


APRENDER A JOGAR FUTEBOL É UM PROCESSO COMPLEXO QUE CARECE DE CONHECIMENTO VERDADEIRO!! É urgente procurá-lo e depois de o encontrar é urgente estudá-lo para o perceber com clareza suficiente para lhe dar vida prática através da concretização de Projectos de Formação com capacidade para produzir CULTURA. O sucesso calcular-se-á na relação entre investimento e quantidade de jogadores de qualidade.


PRODUZIR JOGADORES DE FUTURO… é esta a MISSÃO dos clubes do presente (!!)


Análise Táctica por Rita Santoalha (02 Fevereiro 2012)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Liderança no Futebol"


Estamos numa era em que se dá especial importância aos rendimentos dos desportistas, face às exigências comerciais, económicas, desportivas e sociais.
Face ao seu forte mediatismo, o futebol, pode ver-se como o expoente máximo da exploração do rendimento desportivo, onde os principais intervenientes, treinador (líder) e jogadores (liderados) são julgados jogo a jogo em função do seu resultado.
Assim torna-se essencial ter um leque de informação o mais alargado possível, para que as variáveis que conduzem ao sucesso possam ser mais facilmente manuseadas e os objectivos estabelecidos sejam atingidos.
Considera-se que o “tal” aumento de rendimento que tanta gente exige é influenciado pela liderança do treinador, pois se os jogadores estiverem satisfeitos com a liderança do mesmo, poderá existir uma maior “disponibilidade” por parte destes para aumentar o seu rendimento desportivo.
Devido ao facto de o desporto (de alto nível) ter cada vez mais um leque de interessados (patrocinadores, adeptos, entre outros), torna-se fundamental extrair daqueles que nos proporcionam o “espectáculo”, os praticantes, um maior rendimento desportivo que tem repercussões em diversos sectores. Para aumentar esse rendimento deve potenciar-se e maximizar-se os seus atributos. Mas não basta, tendo a liderança uma grande contribuição para o aumento do rendimento desportivo.


Hoje em dia, no futebol, considera-se que as equipas estão estruturadas não apenas por variáveis físicas, técnicas e tácticas, mas também se caracterizam pelos seus micro-sistemas sociais de rendimento, nas quais uma boa liderança pode conduzir a bons resultados, entenda-se as relações entre o treinador-desportista e entre desportista-desportista.
Nos clubes desportivos, por norma, os líderes são escolhidos, partindo do princípio que o líder da equipa é o treinador desta. Os treinadores (líderes) são contratados pela direcção de um clube, embora dentro de uma equipa possam surgir outros líderes de uma forma natural, estes de forma espontânea ganham o respeito e apoio dos seus colegas. Estes líderes efectivos são por norma os capitães de equipa, existe essa promoção de um líder, alguém que deverá ser capaz de influenciar positivamente os seus colegas visando o objectivo da equipa.
Recordando a era Mourinho no FC Porto, era bem visível a importância dos líderes na equipa, falo do líder escolhido, neste caso o próprio José Mourinho e os líderes naturais, Jorge Costa e Vítor Baía. Certamente uma cota parte do sucesso atingido nessa era se deva a essa organização, aos papéis correctamente distribuídos no seio portista.


Assim, visto que o comportamento do treinador influencia a actuação dos jogadores durante os jogos, o treinador se não tiver uma influência positiva sobre os jogadores poderá levar ao desencadeamento da insatisfação, levando à origem de resultados negativos, mais concretamente nas quezílias existentes entre um treinador e um jogador.
É público, os desportistas considerarem o treinador como uma pessoa extremamente importante no seu rendimento, sendo essa relação, uma variável de rendimento, contribuindo fortemente para fazer a diferença no desempenho e consequentemente na concretização dos objectivos.
Eleito o melhor treinador do mundo pela FIFA e pelo IFFHS em 2010, José Mourinho considera crucial uma boa liderança no futebol, considerando a presença desta, indispensável “Eu penso que liderança tem de estar sempre presente. Ela sente-se nas mais pequenas coisas, nos mais pequenos detalhes com um olhar ou com a presença do líder por si só” (Lourenço, 2006, p.143) refere o treinador português, este afirma ainda que “Durante algum tempo, premeditadamente, deixei de exercer liderança e pensei «vamos lá ver no que isto vai dar». Chega-se à conclusão que não havia hipótese de me afastar. Mesmo que o estádio de maturação de um grupo seja forte, fruto de um trabalho de dois, três, quatro anos, a liderança não pode deixar de ser exercida todos os dias” (Lourenço, 2006, p.143).
Estes exemplos revelam bem o quanto é preciosa a liderança no futebol, e o quão é determinante nos resultados, quer positivos, quer negativos.
O estado motivacional do grupo é a base fundamental da eficácia do desempenho.
Ser desportista/treinador, hoje em dia não é apenas jogar/treinar, é bem mais do que isso…


Leandro Monteiro, 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Quando o desporto perde os seus valores essenciais...


Poderia ter sido um jogo de futebol que acabasse como tanto outros, não assim não se sucedeu.

27 de Fevereiro de 2011.
Local: Campo do Facho - Boassas (Cinfães)

Realizava mais um desafio do campeonato distrital de Juniores A - Zona Norte neste sábado, em que opunha as equipas do Grupo Desportivo de Boassas e o Sport Clube Penalva do Castelo.
O resultado foi uma igualdade a uma bola...tudo dentro da normalidade.
Sendo ou não justo para ambas as equipas não é o mais importante para este relato, mas sim o que se passou depois de terminar o jogo.
Dentro das 90 minutos, nada de muito anormal se sucedeu, no que diz respeito a disciplina e o encontro acabou por terminar com as equipas a recolherem dentro da normalidade e cordialidade aos balneários.

Sabendo, já por outros relatos e para quem já visitou este campo, sabe-se que o campo do Facho é dos mais pequenos ou senão o mais pequeno do distrito, no que respeita a medidas e também das condições insuficientes para se assistir a um jogo de futebol como também para os intervenientes de um mesmo jogo.

Acaba por ser o menos significante para este relato, agora a falta de sentido de estar de alguns adeptos, se assim podermos chamar, torna-se o centro das atenções e não devemos deixar passar em claro.
Assim se sucedeu agressões a dois jogadores do Penalva, já a saída dos balneários para o respectivo exterior.
Provavelmente por adeptos que assistiram ao desafio, que fizeram de certa forma uma espera à saída do mesmo campo.
Felizmente não resultando grandes danos físicos para os respectivos jogadores, o que mais importa realçar é que se faz sentido estarmos assim no futebol?

Valerá a pena continuar a praticar desporto, neste caso futebol, para podermos por em risco a nossa integridade física se existem pessoas que ainda não perceberam a palavra desporto, ou saber estar no desporto?

Quando se perde os valores essenciais de um jogo de futebol, teremos vontade de continuar a acreditar o desporto ou neste caso futebol de camadas jovens ser uma festa?

Será que de uma vez por todas, se deverá tentar por termo a estas situações, para não se voltarem a suceder?

Não deverá as autoridades também proteger todos os intervenientes de um jogo de futebol e não só a equipa de arbitragem?

Não se deverá por em causa proporcionar-se um jogo de futebol ou outra modalidade num campo onde não existam o mínimo de condições para que situações destas não se repitam?

No fundo o futebol deve ser levado como um divertimento e não fazer um "espaço de batalha"!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Legião Estrangeira

Muda-se o tempo, mudam-se as identidades, as equipas pertencentes à Liga Portuguesa de Futebol são as que menos aproveitam o “material” da formação.
Segundo a Agência Lusa, através de uma investigação do Observatório dos Jogadores Profissionais de Futebol (OJPF), chegou-se à preocupante conclusão que a utilização de jogadores formados nos clubes lusos caiu 1,3 por cento, comparativamente a 2009.
Número este, que não surpreende os que estão atentos à formação no futebol português, pois são cada vez mais os estrangeiros na formação lusitana.
De acordo com este estudo é o Sporting que melhor se posiciona entre as equipas que apostam em jogadores nacionais, fez alinhar durante 32,5 por cento dos minutos dos primeiros jogos da época, jogadores da formação, três vezes mais do que os seus seguidores Beira-Mar (7,9), Marítimo (6,7) e União de Leiria (3,4).
Estas conclusões tornam-se difíceis de aceitar, principalmente porque com o passar do tempo a formação em Portugal tem mais qualidade, efeito de um investimento em infra-estruturas desportivas e a melhoria dos técnicos que lidam com os jovens desportistas.
Considero essencial uma boa aposta na formação, pois estamos a semear o que iremos colher no futuro, sendo os jovens desportistas de hoje os futuros jogadores de amanhã, obviamente dá trabalho, mas se este “esforço” não for feito, não iremos ter uma selecção novamente campeã do Mundo de Sub-20, como aconteceu em 1989 e 1991, na Arábia Saudita e em Portugal, respectivamente.


Foram estes títulos, os expoentes máximos da confirmação de uma boa formação no futebol português que contribuíram para o êxito desportivo na selecção no passado mais recente.
E é esse êxito desportivo que queremos reproduzir no futuro, tanto ao nível das selecções como ao nível dos clubes, não nos podemos esquecer que é o país que está a ser representado e não é com investimentos em estrangeiros que conseguimos potenciar os jovens nacionais.
Devemos fazer tudo para fomentar o orgulho nacional!


Comprar jogadores já “feitos” tornou-se moda nos dias de hoje. É rara a equipa que aposta solidamente em jogadores oriundos da sua formação.
Podendo os jovens da formação seguir dois caminhos; ou o seu talento é muito evidente e são contratados pelos grandes colossos europeus, ou o talento desses jogadores necessita de uma “lapidação”, entenda-se um trabalho mais rigoroso, quer em aspectos tácticos, técnicos, físicos ou psicológicos, não rentabilizando a sua potencialidade. Hoje em dia já não se dá ênfase a este esforço junto dos jovens nacionais, de modo a maximizar os seus atributos para serem jogadores com valor que harmonize com o objectivo da equipa em que estão inseridos.
Infelizmente, é neste segundo caminho que a maioria dos jogadores das camadas jovens se insere.
Torna-se mais fácil ir “comprar fora”, mas não nos podemos esquecer que com isso estamos a hipotecar o nosso futuro futebolístico. O futebol português não pode continuar a viver eternamente de futuros Decos, Pepes, etc, ao invés, devemos criar futuros Figos, Ronaldos, etc.
Tradicionalmente sempre tivemos jogadores virtuosos, ou seja, jovens a emergir em talento, com um grande potencial, onde o acompanhamento pedagógico, psicológico e social deve coadunar com os factores situacionais assim como com a sua personalidade. São estas vertentes que constituem os reais alicerces da formação.
Assim é necessário dar espaço e oportunidades aos nossos jovens desportistas para crescerem tanto como jogadores, como pessoas.



Um bom exemplo disto é o facto de nos Juniores A - Fase Final 2010/11, segundo fonte do site zerozero.pt, a única equipa a ser composta exclusivamente por jogadores lusos é a União de Leiria, dado este, que comprova claramente que esta equipa é uma excepção, contrariamente às restantes que cada vez mais apostam em jogadores estrangeiros nas camadas jovens.
O actual vice-campeão nacional, SL Benfica, joga neste momento, apenas com um português na equipa inicial, falo de Fábio Coentrão, que certamente mercê do futebol demonstrado, não ficará a fazer parte desta estatística durante muito mais tempo.
O SL Benfica já contratou um “substituto” de posição, que só por “acaso” é francês. São nestes pequenos exemplos que vemos a importância dada aos jovens jogadores portugueses.
Esta contratação tem como âmbito uma contínua evolução, explorando o SL Benfica o potencial do jogador, logo podemos colocar a seguinte questão, se é para formar, porque é que não o fazem com jogadores portugueses?!
E quem melhor na actualidade, do que o nosso país vizinho, a Espanha onde verificamos que uma boa aposta na formação dá resultados, o futebol espanhol vive neste momento uma fase de notório sucesso, tanto ao nível dos clubes, como ao nível das selecções.
Há cerca de 10 anos foi implementada uma metodologia verdadeiramente incrível, a formação espanhola potencia ao máximo os jovens espanhóis acompanhando-os muito de perto e volvida uma década o resultado é impressionante!
Em Portugal é visível esta tendência para o “desaproveitamento” da formação, faço um apelo a quem tem responsabilidades acrescidas nesta área, para procurar introduzir uma política desportiva mais aliada à formação portuguesa, para que se continue a formar grandes talentos, tais como Cristiano Ronaldo, Figo, Rui Costa, etc.


Se conseguimos ter dos melhores treinadores do mundo (José Mourinho), dos melhores agentes de futebol do mundo (Jorge Mendes), dos melhores jogadores do mundo (Cristiano Ronaldo), para quando a aposta na melhor formação do mundo…?!

Leandro Monteiro